Escritas gratuitas


A função dessa página é disponibilizar escritas gratuitas para que você possa conhecer meu trabalho como escritora. Não irei publicar nenhuma escrita com ensinamento ocultista, porque esses são conteúdos monetizados. Serão disponibilizadas aqui obras das minhas vivências pessoais e pensamentos. Boa leitura.



“— Sim. — respondi em tom calmo — Eu corri o risco e paguei o preço do que eu sei, o mundo lá fora destruiu algumas coisas em mim, mas recebi algo em troca. Não dá pra salvar as pessoas da vida. O mundo sangra.”


             O Preço que eu pago 

Preciso de algo para me agarrar porque estou me afogando num instinto incontrolável. Ontem, numa madrugada qualquer, ouvi a preocupação de uma amiga:

— Me preocupo. Tenho medo de com quem você se envolve.

(Sem resposta)

Eu não me preocupo tanto. Não quero sua preocupação. Quero viver como qualquer um. Mas eu não sei o que anda acontecendo; uns dias atrás eu estava completamente invisível e agora me sinto exposta. Alguém segue meus passos. Alguém sabe onde eu estou sem que eu diga. O ódio irradia dos meus olhos e minha voz tem sido minha arma, já que meu corpo está extremamente cansado.

Não posso explicar para você quem eu sou. Não posso dizer o que penso porque isso iria dilacerar sua percepção feminina. Não tenho essa empatia que seu peito carrega e essa sensibilidade não percorre o meu coração. Eu transo com homens que eu odeio porque gosto da sensação de uma humilhação crua aprofundada no desgosto. Sou eu quem me levanta da cama às 4 da manhã e vai embora depois de horas compartilhando palavras doces, sons abafados e gemidos intensos de uma paixão falsa.

Sou eu que carrego segredos ruins. Sou eu que conheço mulheres nefastas e libertinas. São os meus rastros que carregam situações letais. Mas você não vê, porque sua doçura acessa a minha ternura e eu posso ser com você uma mulher sensível, porque você toca os meus sentimentos. Porque você é mulher e é doce. Em mim você não enxerga perigo ou danos porque esse lado se torna inexistente na sua presença.

Mas eu sei por onde devo andar e não me preocupo com as ações humanas, porque talvez a dor tenha algo para mim; a sensação de situações perigosas me acelera o coração e no meio das minhas pernas tudo fica extremamente úmido. Não quero a paz dos justos. Não tenho ilusões. Gosto de tudo que desafia radicalmente as estruturas de poder.

Contos

 De volta ao exílio 

Numa sala vazia, acomodo o meu corpo cansado numa poltrona velha e entrelaço minhas pernas. Uma xícara quente me serve um café amargo no paladar, servido de um sentimento cítrico de dor misturado com prazer. A dor sempre será um prazer para mim e eu me torno ela, e ela se apossa dos meus trejeitos e usa o meu nome por aí se passando por mim, ligando para amores antigos e os chamando novamente.

Ela diz que estou só, azarada, na maldição da solidão. Porque no fundo, eu ainda estou a quitar o passado. Não me odeie pelo o que causei, porque por dentro o meu coração tem queimado em desejo arcaico. Ela diz que o pássaro cheio de pregos é minha liberdade sendo ferida, e os passarinhos mortos ao chão é a comunicação que me falha, que os rastros no caminho sou eu perseguindo o que me fere a ferro e fogo.

Ela diz, que a escuridão decretou como um juíz a minha verdade. A verdade que sangra, que bate na minha porta aos domingos para lembrar o meu destino, com um relógio em mãos batendo tique taque. E as ruas apesar de vazias ecoam mistérios desconhecidos, me fazendo entrar em becos escuros, sem estradas que me levem de volta para casa. Porque tudo o que quero viver me escapa entre os dedos como grãos de areia, assim me distancio do meu corpo e da minha mente para poder sobreviver.

Não tão tarde, vejo o seu rosto na escuridão e não sinto amor romântico, sinto que pode me dar algo muito maior que isso. Me dê algo maior que isso. Eu espero que me dê algo maior. Algo que desconheço. O seu reflexo ativa um instinto animal que mal posso controlar. Castigo a mim mesma. Choro pelos corredores. As correntes se arrastam num aviso iminente que não suportam o peso, e eu perambulo a carregar uma crença pequena no bolso do meu jeans rasgado, que um dia eu poderei despejar em você o desejo mais sombrio que já habitou nesta terra amaldiçoada.

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