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O gosto metálico do fracasso
Antes de abordar o assunto queria esclarecer que nada do que eu digo aqui é um incentivo para você se colocar em risco ou romantizar essas situações. Estou escrevendo sobre minha percepção e vivência. E eu peço que pense sobre o que estou dizendo sem a interferência das minhas palavras, que podem causar êxtase e convencimento. Para mim, existe algo muito profundo na nossa essência que influencia nossa capacidade na feitiçaria, e eu estou aqui para falar da minha. Os meus conselhos podem ser destrutivos. Todos falam do poder, da vitória, êxito e revanche. Mas poucos falam sobre como lidar com o fracasso no ocultismo. Antes da excelência vem a queda e o fracasso molda. Ele não pode ser visto como vergonha, como ridicularização ou chacota. No fracasso existe honra. Cicatriz. Falo sobre ele no meio do ocultismo, mas você pode encaixar isso em outra situação da sua vida se isso for possível. Talvez eu tenha uma obsessão por esse sentimento.
No ocultismo tem os valentões mascarados por covardia. Outros, realmente perigosos. Se conseguirem derrubar você, existem dois lados da moeda: Você mastiga a derrota e se levanta, ou se deixa enterrar. Acredite, pode realmente enterrar você. A derrota é uma dor profunda e mexe com a nossa identidade e segurança. Mexe profundamente com os nossos conhecimentos, uma sensação de serem inviáveis, como se não fossem válidos. Aprenda a perder. Aprenda a ser derrotada. É um conselho tóxico, eu tenho total consciência, e isso me lembra uma conversa com uma amiga. Ela tem um perfil de autopreservação como a maioria das pessoas possui. Eu não tenho. Sou autodestrutiva. Ela soube se acolher e resolver algo em pouco tempo. Eu não consigo ser assim, eu cavo minha dor e o meu medo até minha mente se esgotar. Uma feiticeira que conhece o fracasso dentro do ocultismo e sabe lidar emocionalmente com ele, se torna uma feiticeira resistente. A resistência dificulta uma queda definitiva. Entre duas magistas, vence aquela que honra o próprio fracasso.
Quando caímos e somos derrotadas o nosso ego é esmagado; e com ele a nossa autoestima também. A derrota expõe o ego, ou seja, todo nosso potencial entra em jogo. O desespero rasga feito lâmina e o convencimento de que somos amadores se torna realidade. O sentimento de invalidez é real e perigoso, pode enterrar quem você é e a sua história. Escrever sobre isso parece ser simples e estimulante, mas, vivenciar isso nos ossos é terrível. Para se recompor pode levar meses ou anos, depende muito em como irá lidar com o sentimento da derrota. Eu não me sinto confortável com um auto discurso de que sou uma excelente feiticeira, que minhas mãos, meus olhos e minha mente não falham. É uma linha tênue. Se convencer de que no seu mundo você é toda poderosa como auto afirmação e autoestima, pode se tornar um veneno. Porque se algo ou alguém provar ao contrário, colocando essa percepção de si mesma em jogo, pode quebrar você de dentro pra fora. Não significa que eu não confio no meu potencial. Significa, que o meu ego é treinado. Não sou escrava do meu ego, a decisão de bater o martelo para anunciar o meu fim nunca será dele.
Perder nunca foi uma vergonha, porque eu aprendi a perder. Eu aprendi a lidar, eu treinei as minhas emoções. Tudo me custou crises emocionais, perda de identidade e confiança. Essas vivências me ensinaram que: a queda de alguém que não sabe perder e que ocupa o topo, nunca mais vai se recuperar. Acredite em mim. Será uma queda irreversível. Esse aprendizado quase me destruiu, sentir esse gosto por meses é cruel. Tudo irá intensificar caso seu inimigo agir com magia e humilhação pública, a difamação é fatal. Porque tem o ácido da sua reputação em jogo. É um todo: reputação sendo deturpada, confiança destruída, dinheiro perdido, seus animais sendo mortos, sua família sendo atacada. O seu ego sendo mexido.. se o ego for fragilizado o seu financeiro vai sentir, o ego é a nossa autoconfiança e autoestima. Feriu o ego: caminhos fechados na certa. Sem erro.
Existem outros melhores que você, melhores do que eu. Nunca será um problema para mim. Mas eu gosto de causar arrepios nos meus inimigos, não no aspecto de ser indestrutível, mas sim no vício da dor. Não quero ser a melhor. Quero ser a mais resistente. Não é qualquer um que pode com isso. Eu procuro por isso. Procurei por muito tempo. Acredito que os meus inimigos aprendem comigo porque todos foram meus amigos um dia. É um vício doentio testar os meus limites, gosto de testar as pessoas com o que elas dizem, da mesma forma que me testaram. Se surgir uma situação que me ameace, eu vou querer verificar se essa sensação é verdadeira. E caso for, até onde eu posso com ela. A dor não pode ser estranha, não aqui onde eu estou. A perda também não.
— Se o comportamento dela de auto destruição continuar. Vão abandonar a coroa.
Isso me causa uma vontade incessante de rir, mas não por deboche. Mas porque imagino o ódio deles. Enquanto uns procuram se preservar e prosperar, eu procuro o medo e o desconforto. Porque eu não sei o que pode acontecer amanhã. Não sei qual situação posso viver amanhã. Não me permito, em hipótese alguma, ser pega de surpresa por ninguém. Numa noite, conversei com o meu Exú sobre o medo, pedi para que tirasse o meu. E de uma certa forma, ele tirou. O que eu quero trazer aqui é simples: Não tenha medo de perder. Não tenha medo de fracassar em nada, nunca. Não tenha medo de ser derrubada. Não tenha vergonha. Nunca. Treine a si mesma até a falha. São as vivências que vão te moldar com excelência. São as vivências. Não tenha medo de nenhuma delas. É assim que se sobrevive.